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O poder feminino de transformar
Dia internacional da mulher - Print Email PDF 
Autor - Assessoria 08/03/2007

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» Dia internacional d...

Gleisi Hoffmann (*)
É fato que a mulher ocupou espaços importantes na sociedade moderna. Rebelou-se, reagiu contra o que tradicionalmente a história lhe reservou como papel: coadjuvante do protagonismo masculino. Também reagiu contra a violência e o desrespeito.

Dominada por tradições, superstições, cuidados e regras rígidas, as mulheres tiveram sua beleza sufocada. Deixaram-se levar por conceitos e preconceitos. Foram subjugadas no físico, na moral e nos sentimentos. A emancipação, que não está completa, deu-se por uma reação política e social contundente, acompanhada por uma revolução de costumes na sociedade, de forma silenciosa e contínua.

Convivemos com grupos de mulheres livres, donas de seu destino, com carreiras profissionais definidas e que intervêm no dia a dia da sociedade, e com mulheres ainda sujeitas a tudo que denunciamos no passado: violência, dependência, discriminação e desrespeito. É como se o grito feminista não tivesse ecoado igual para todas as mulheres. Repete-se o 8 de março e repete-se a pauta das reivindicações. Acrescida da constatação, ou melhor, da denúncia do estresse e da tensão que acompanha o dia a dia da dupla jornada da mulher dita emancipada.

A face descontente, corajosa e forte da mulher, na procura dos direitos perdidos e de sua essência, não deu conta do problema criado pelas tradições da sociedade patriarcal. Ficamos limitadas à reação ao passado. O que condicionou e limitou a criação do presente. Acabamos por ter um conjunto de regras e normas para desfazer as anteriores, buscando uma outra tradição, que não consegue ser efetiva para a totalidade das mulheres e nem consegue resolver a ansiedade trazida pela ampliação dos deveres femininos entendidos como direitos.

Não há dúvidas que o que fizemos, as lutas travadas e a face moderna da mulher se constituem em progresso. Foi desafio ao status quo. Foi à procura de mudanças, novos caminhos, novos sistemas de vida para si e suas comunidades. Mas este processo, baseado no descontentamento e na reação parece não dar conta dos nossos anseios. É como se estivesse faltando algo que a luta tradicional não dá conta de alcançar.

O momento requer mais. As reivindicações, denúncias e debates com a sociedade devem continuar. Mas, agora, temos de utilizar aquilo que é mais autêntico e forte em nós mulheres, o poder da transformação. Transformar o velho mundo, transformar as referências, as tradições e os valores atuais. Transformar para preservar a vida. A construção do novo só é possível se o processo para o atingir também for novo. Aí, as mulheres têm o grande desafio de colocar em prática os poderes que sempre foram identificados com sua natureza e que, por muito tempo, foram considerados inferiores aos poderes inerentes ao masculino. Não é a força, não é a rebeldia, não é a reação, não é a destruição. É a criação, a sustentação. Os poderes da deusa, da suavidade, da introspecção e da pureza, do entendimento e do destemor. As características da grande mãe: a misericórdia, a flexibilidade, a gentileza. O poder da simplicidade, da confiança, do equilíbrio, da fé. A coragem do propósito. A cooperação, a generosidade.

O mundo transformado das mulheres é o mundo do respeito à vida, ao ambiente e ao planeta. Para o atingir, temos que usar nossa essência, nosso espírito. Ousar fazer diferente o que sempre foi repetido na história. Criar o novo com a ação baseada nos nossos poderes, nos nossos valores. A contestação, o grito, a reação e a luta cumpriram papel importante. Mas, o que se vive agora requer ousadia na ação: mudar o método para atingir um novo fim.

O mundo da paz, da solidariedade e do respeito só pode ser real se os atos que usarmos na sua edificação sejam de paz, solidariedade e respeito. A vanguarda é das mulheres. Este é o grande desafio presente e futuro, capaz de dar conta de todas as transformações que almejamos. Esta é a consciência que precisamos ter agora e para isso exige-se um novo protagonismo. Usar a energia, o poder do feminino para servir à vida, a nós próprias, aos seres humanos e à natureza.

(*) Advogada, gestora pública e militante política.



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