Menu
 Principal
 Notícias
 Galeria de Fotos
 Ênio Verri
 Humberto Henrique
 Mario Verri
 Micro Região
 Cidade
 Artigos
 Downloads
 Webmail
 Links
 Registre-se
 Entre em contato

 Login

 Camara dos Vereadores

PT maringá


 Users Online
There are:
0 registered users
and 1 guests online now.

 Informativo


 Seu Endereço
Azanha

HOJE
Data: 05/09/10
Hora: 19:49
Seu IP: 38.107.191.86


 Grupo Azanha


Responsabilidade social
aqui tem.


 Atendimento
Expediente no PT:
De Segunda à Sexta-feira
12:00 às 18:00 hs.

As mulheres do Brasil
As mulheres do Brasil - Print Email PDF 
Autor - Assessoria 29/03/2010

Índice

» As mulheres do Brasil


As mulheres do Brasil
Publicado em 24/03/2010

Bruno Ribeiro



  Senhoras e senhores, as mulheres sempre me interessaram soberanamente. Esta frase não é minha, mas do saudoso Darcy Ribeiro, educador, antropólogo, poeta e mulherólogo. Tomo a frase como minha porque são elas, as moças, a razão do meu viver, o sal da minha inspiração, o motor que move a engrenagem das minhas vontades.

  A companhia feminina me leva a escrever, a trabalhar, a amar. É música para os meus ouvidos. Sem a presença das mulheres não haveria este cristal invisível entre o sonho e a realidade dos homens - este desejo incontrolável de conquistar territórios, este sopro belicoso a conduzir nossa alma pelos campos de batalha.

  Escrevo sobre as moças enquanto escuto o novo disco do Grupo Anima. Donzela Guerreira, inspirado no estudo homônimo de Walnice Nogueira Galvão, beira o sublime ao musicar o mito da mulher que se veste de homem e vai à guerra. Este arquétipo feminino está presente em todas as culturas e épocas. Está na literatura, na mitologia e na história dos povos. No Brasil, por exemplo, está encarnado em Diadorim, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa.

  A moça insubmissa e revolucionária, que subverte o papel historicamente destinado às mulheres, parece ser não apenas uma aspiração feminina, mas uma fantasia dos homens. Não deve ser coincidência o fato de a deusa Palas Atena ter nascido da cabeça de Zeus, depois que este, sofrendo com terríveis dores de cabeça, pediu que o filho Hades lhe abrisse o crânio com um porrete. Para o espanto dos deuses do Olimpo, dentro da cabeça de Zeus havia uma jovem mulher empunhando escudo e espada.

  Também na mitologia iorubá temos a donzela guerreira na figura de Iansã, orixá dos ventos e tempestades, cuja beleza deflagrou uma disputa mortal entre Ogum, o poderoso deus da guerra, e Xangô, o impiedoso rei de Oyó. Destinada à lutar por liberdade, Iansã amou a ambos e não foi de nenhum. Não por acaso, sua espada tem a forma de um raio, uma chispa de fogo que encanta e amedronta.

  Sendo uma das mais secretas e inconfessáveis fantasias masculinas, a mulher rebelde suscita medo e ódio. Ainda que sua causa seja justa, tem de ser combatida pelo machismo. Mais do que combatida: apagada da história. Cabe citar, neste caso, a obsessão que os militares brasileiros tinham por decapitar as guerrilheiras presas durante a ditadura. A prática de separar a cabeça do corpo revela, simbolicamente, o desejo inconsciente de eliminar não somente a vida, mas as ideias.

  Recentemente, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, ex-guerrilheira que poderá se tornar a primeira mulher presidente do Brasil, tem voltado à tona um tipo de pensamento criminoso que tenta desqualificar aqueles que lutaram contra a ditadura. Comparar opositores do regime à terroristas é uma tática suja utilizada por quem perdeu o bonde da história.

  A resistência contra as tiranias é um direito reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. O único responsável pelo surgimento da luta armada foi o governo ilegítimo instalado em Brasília na base da força. A guerrilha nasceu como resposta à violência do Estado e não o contrário. Foi assim na Argentina, em Angola, na Argélia, em todas as partes do mundo onde houve ditaduras.

  Eram terroristas aquelas moças que, como Dilma, enfrentaram o pau-de-arara e o choque elétrico? Ou eram terroristas os que censuravam, perseguiam, torturavam e matavam em nome da Família, de Deus e da Propriedade? Era terrorista a estudante Helenira Resende, morta a golpes de baioneta no Araguaia? Ou terrorista era o Coronel Sebastião Curió, que executou prisioneiros indefesos?

  Principalmente no mês de março, quando lembramos o massacre das operárias de Chicago*, queimadas vivas quando reclamavam por melhores condições de trabalho numa fábrica de tecidos, temos a obrigação de refletir sobre a importância da mulher na história das lutas democráticas. No Brasil, apesar de quase não figurarem nos livros de história, elas assumiram papel determinante nas conquistas e foram sempre a vanguarda da sociedade.

  Da inesquecível Flor da Noite, a prostituta que colaborou na insurreição dos marinheiros da Revolta da Chibata, passando por Leila Diniz, que libertou as moças dos grilhões do moralismo hipócrita, as mulheres brasileiras costuraram o mapa do Brasil, bairro por bairro, rua por rua, casa por casa, forjando o espírito sensual e criativo desta nação grávida de futuros.



Bruno Ribeiro é jornalista da Agência Anhanguera de Notícias (bruno@rac.com.br)

* O dia 1o. de Maio, dia do trabalho, é comemorado nesta data em memória ao massacre das operárias de Chicago*, queimadas vivas quando, em greve, reclamavam por melhores condições de trabalho numa fábrica de tecidos  em  Chicago em fins do século XIX.

Fonte: Correio Popular




Comentários
Se você já é registrado, faça o Login para enviar seu comentário.

Se você não se cadastrou ainda, CADASTRE-SE AGORA!
  Partido dos Trabalhadores Maringá .
(c)2005 TI Paraná